Bem Vindos

Este blog visa provocar discussões e debates sobre temas pertinentes à Sociedade de forma geral e de Ibiapina, cidade onde resido. Para isso, foram reunidos aqui, artigos e publicações de alguns dos mais renomados jornais e jornalistas brasileiros, além é claro, das opiniões dos leitores. Todos postados para sua análise e parecer. O nosso objetivo é que, juntos possamos contribuir para a construção da cidadania plena como sujeitos de direitos e deveres que somos. Sejam todos bem vindos!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Câmara Municipal de Ibiapina renovada, mas nem tanto.

Eleições findas, votos apurados, é chegada a hora de avaliarmos o que pode melhorar ou ficar ainda pior. 

Pois bem, em se tratando da Câmara Municipal, poderemos ter apenas caras novas.

A exemplo de tempos pretéritos, continuaremos sem leis e ações que realmente interessem ao  povo ibiapinense.

Falando dos vereadores reeleitos e portanto, que ainda permanecerão lá, os fatos falam por si.

Não mostraram nada de novo, limitaram-se a denominar logradouros e defender os respectivos líderes políticos, sejam eles situação ou oposição.

Fato que nos causa surpresa, e que nos faz interrogar é: o que dizem os Edis que  convencem tantos eleitores a reelege-los...?  Felizmente, alguns foram parar na suplência e de lá, espero, ao ostracismo popular, pelo tremendo desperdício do dinheiro público gasto com seus subsídios e diárias. Fica a pergunta: de que serviram esses vereadores? Em que contribuíram para uma Ibiapina melhor?

Os novos, pelo que conheço, e espero sinceramente morder a língua, seguirão os passos dos veteranos, até porque, com duas ou três exceções, mudou-se somente o rosto, mas o modus operandi continuará o mesmo.

Ibiapina, vem sendo mal administrada ao longo dos anos. O incômodo já se fez sentir nessa eleição.

Tomando como exemplo o IDH, apurado no ano de 2010, Ibiapina figura na posição 106, com 0,608 de índice. Estando atrás de seus vizinhos, Ubajara, São Benedito, Tianguá, Ipú e Pajujá. Algo precisa ser feito urgentemente. 

Elegemos vereadores para vigiar, reger e cuidar do bem público, não para serem passivos e coniventes com a má administração.
Existem eleitores ruins porque a autoridade é ruim. O eleitor é formado. O estado é detentor dessa função de formador. É ele (o Estado), quem tem que fomentar a educação de qualidade. Ensinar o cidadão a ser crítico. Dotá-lo de capacidade para escolher o seu governante e cuidar do público. O estado é quem tem que punir o corrupto, mas tem que ser o primeiro a dá exemplo.

Assim, caríssimos, mais uma vez depositamos nossas esperanças numa Ibiapina melhor, crentes que um novo tempo se avizinha, trazendo com ele a esperança de um recomeço, de uma nova mudança de postura e responsabilidade com a respublica.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Leandro Linhares, novo prefeito de Ibiapina.

Com quase 60% do total de votos válidos, o ibiapinense elegeu para comandar seu município o jovem,  Leandro Linhares (PR) (foto).

Filho de Hélio e Gracinha Linhares, ex-prefeito e prefeita de Ibiapina, respectivamente, Antonio Leandro Gomes Linhares, parece ter herdado dos pais o gosto pela política. 

Muito embora tenha sofrido uma derrota nas urnas em 2012 para a atual prefeita Marta do Orismar, por um erro de estratégia seu, Leandro nunca abriu mão de sua pretensão ao cargo majoritário e desde então começou a aglutinar apoios. 

Jovem carismático, sempre alegre e simpático, foi conquistando aos poucos, uma multidão, principalmente de jovens como ele, além, é claro, daqueles que estavam insatisfeitos com a atual administração municipal. 

Assim, com uma votação expressiva de 7964 votos, Leandro foi eleito ao cargo maior do executivo municipal, imprimindo ao adversário, Marcão (PTB) uma maioria de 2646 votos, diferença nunca vista antes na história política do município.

O candidato eleito, além da votação recorde, acumula também outro feito inédito, será o mais novo prefeito que Ibiapina já elegeu. Fará 31 anos no próximo dia 10.

O futuro prefeito, enfrentará desafios pela frente... dentre eles o de "acomodar", tantos interesses que foram untados à campanha e que breve, serão cobrado à administração. Mas é assunto pra outro comentário. 

O momento é de congratulações!

Nós então,  parabenizamos o "jovem guerreiro" e desejamos-lhe uma gestão promissora, honesta e responsável a fim de que, possamos voltar a ter esperança.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Quer que eu desenhe?

Na tarde de 1º de janeiro de 2003, uma quarta-feira ensolarada em Brasília, o país parou para acompanhar o primeiro discurso do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República. Cercado por chefes de Estado e parlamentares, Lula falou durante 44 minutos em tom emocionado. 

Num dos trechos, a voz embargada foi sublinhada pelo timbre professoral: “O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo”, prometeu. “É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida pública”. Foi ovacionado.

Na tarde de 14 de setembro de 2016, a força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou o ex-presidente pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores federais de Curitiba, Lula foi o “comandante máximo” do maior assalto ao erário da história republicana. Mais: consolidou uma “propinocracia” como método de governança. No Brasil, nenhum outro governante estabeleceu tantos recordes de aprovação.

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Apesar da queda de Dilma Rousseff, todas as pesquisas recentes ainda o apontam como um candidato à Presidência bastante competitivo. Desde 2002, poucos o derrotaram em embates políticos. Agora, contudo, o adversário é outro: a Justiça. 

Caso o juiz Sérgio Moro — com quem Lula tem há meses seus piores pesadelos e a quem conclama seus discípulos a atacar – aceite a denúncia, o ex-presidente se tornará um dos réus da Lava Jato. 

O homem que nunca escondeu o desejo de terminar a vida como o maior presidente da história brasileira poderá encerrar seus dias atrás das grades.

É provável que o PT e seus satélites tentem blindar a biografia do seu messias. 

É possível que surjam camisetas e bandeiras em passeatas – numerosas ou não – ligando a figura de Lula à ladainha do golpe das elites. 

Ninguém se espantará caso também essa banda saia às ruas quando Lula já tiver cruzado a fronteira rumo à Venezuela, a Cuba ou algum país africano onde tenha atuado como lobista das empreiteiras do petrolão.

Eis uma sugestão: o procurador Deltan Dellagnol resumiu numa imagem a teia de dinheiro sujo, má fé e desrespeito à ética “no trato da coisa pública” ─ reproduzo palavras do próprio ex-presidente. 

No centro do diagrama aparece o nome daquele que se proclama a alma mais honesta deste país. Aos fiéis mais teimosos, basta uma resposta: quer que eu desenhe?

por Sílvio Navarro

Lula, sobre honestidade: ‘Só Jesus ganha de mim’

A alma mais honesta do Brasil – e a que chefiou o maior esquema de corrupção de que se tem notícia no país, segundo o Ministério Público Federal – decidiu nesta quinta-feira se defender das acusações apresentadas ontem em Curitiba. Em coletiva de imprensa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, em matéria de honestidade, só Jesus Cristo ganha dele. Ao menos reconheceu estar abaixo de Cristo.

Os petistas, especialmente a militância online, estão tentando fazer de conta que não há qualquer prova na denúncia apresentada pela força-tarefa da Operação Lava Jato.

Claro que há. São mais de TREZENTAS PROVAS, entre depoimentos, recibos, notas fiscais, fotografias, extratos bancários etc. Um farto conjunto probatório, além daquelas outras que serão produzidas na instrução processual.

Então, por que estão dizendo isso da “convicção sem prova”? Em primeiro lugar, porque estão desesperados e não há muito mais a dizer. Mas, além disse, por pura desonestidade.
Vejamos.

O MP diz que o nome do Lula não está na matrícula do imóvel, nem nas contas (água/luz), o que é óbvio. Já que se trata de um caso de OCULTAÇÃO DE PATRIMÔNIO, claro que não há contrato de gaveta, documento de recebimento das chaves ou relatório de vistoria.

Se houvesse, não haveria OCULTAÇÃO. Isso é pra lá de óbvio. E, justamente por isso, foram anos para juntar todas as 300 provas que constam da denúncia.

Parte da militância é ingênua por, a esta altura, ainda defender o indefensável. Mas outra parte tem muita má-fé, porque é o que resta para ainda defender esse mesmo indefensável.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Decisão de Lewandowski é escancaradamente inconstitucional. E a Lei da Ficha Limpa? Entenda o debate

Por Reinaldo Azevedo
 
Dilma está inelegível pela Constituição; a Lei da Ficha Limpa, de fato, acaba sendo omissa em relação a crime de responsabilidade do presidente

Vamos tentar botar um pouco de ordem na confusão que foi criada no Senado, por decisão original de Ricardo Lewandowski, que se comportou bem durante todo o julgamento, mas disse a que veio e lembrou quem é no último ato. Vamos ver. O presidente do Supremo, no comando da votação do Senado, tomou uma decisão inconstitucional. O que diz o Parágrafo Único do Artigo 52 da Constituição?
 
“Nos casos previstos nos incisos I (processo contra presidente da República) e II (processo contra STF), funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.”

Atenção: a Constituição não separa a inabilitação da perda do cargo. Lewandowski tomou tal decisão por conta própria. E, tudo indica, já havia entendimentos subterrâneos para que assim fosse. O destaque é descabido.

Mais do que isso: trata-se de uma decisão absurda em essência: então, pelo crime cometido (e foi), Dilma não pode continuar com o mandato que ela já tem, mas poderia disputar um outro?

Eu gostaria muito que Lewandowski explicasse que trecho do Parágrafo Único do Artigo 52, que palavra, que ordenamento de vocábulos lhe conferiu licença para fazer a votação em separado.

O que se está usando como fiapo legal para justificar a decisão é o Artigo 33 da Lei 1.079, onde se lê o seguinte sobre o presidente da República:
“Art. 33. No caso de condenação, o Senado por iniciativa do presidente fixará o prazo de inabilitação do condenado para o exercício de qualquer função pública; e no caso de haver crime comum deliberará ainda sobre se o Presidente o deverá submeter à justiça ordinária, independentemente da ação de qualquer interessado.”

Pois é… Mas aí o princípio “Massinha I” do Direito: a Constituição é a Lei Maior. O que nela está claro, explícito, determinado — como é o caso — não pode deixar de ser aplicado por algum dispositivo de leis menores.

E a Lei da Ficha Limpa?

Dia desses, Gilmar Mendes, ministro do Supremo, disse que essa lei era de tal sorte confusa que parecia ter sido feita por bêbados. Os tolos saíram atacando Gilmar. Então vamos ver.

A íntegra do texto está aqui. Trata-se de uma confusão dos diabos. Para começo de conversa, a lei é explícita em tornar inelegível quem renuncia em meio a um processo. Mas não é clara sobre a inelegibilidade de um presidente da República no caso de condenação por crime de responsabilidade.
Parece ter sido feita por bêbados.

A Lei da Ficha Limpa teria tornado Dilma inelegível se ela tivesse renunciado. Mas não a torna inelegível depois de condenada.

É uma aberração? É claro que é. Um sujeito que tenha sido expulso, por qualquer razão, de um conselho profissional — de contadores, por exemplo — está inelegível. Mas não o chefe do Executivo Federal que tenha cometido crime de responsabilidade. Coisa de bêbados. 

Ainda bem que a memória existe. Ainda bem que o arquivo existe. Sempre afirmei aqui que essa lei era estúpida, ainda que tenha algumas qualidades.

Gente como Lewandowski e Renan Calheiros se aproveita dessas ambiguidades e rombos para fazer peraltices institucionais.

De volta à Constituição
Mas, reitero, esse não é o ponto. O que foi fraudado nesta quarta-feira foi a Constituição. A perda da função pública, segundo a Carta, é inseparável da condenação por crime de responsabilidade.

É claro que uma articulação como essa não se deu no vazio e quer dizer alguma coisa. Também traz consequências Tratarei o assunto em outro texto.

E agora?
Bem, agora entendo que cabe recorrer ao Supremo contra a decisão tomada por Lewandowski. Será uma saia-justa? Ah, será. Quero ver como irão se pronunciar os demais ministros.

O que Lewandowski fez foi tornar ainda mais complexa a batalha jurídica. A defesa de Dilma já disse que irá recorrer ao Supremo contra a condenação. Não terá sucesso, claro!, mas terá um argumento moral a mais: tanto o Senado acha Dilma honesta que não a inabilitou para a função pública.

E os favoráveis à cassação, entendo, têm de apelar à Corte. Lewandowski tomou uma decisão absolutamente arbitrária, ao arrepio da Constituição.

AMB ACIONA O STF CONTRA O ESTUPRO CONSTITUCIONAL

A Associação Médica Brasileira -- sim, a associação médica -- protocolou, há pouco, mandado de segurança no STF contra o estupro constitucional no julgamento de ontem, que deixou Dilma Rousseff livre para exercer cargos públicos.

“Antes de qualquer coisa, é imoral mudar regras do jogo, escritas na Constituição Federal, para diminuir as consequências da destituição para Dilma Rousseff. 

Como representantes da sociedade civil organizada, não nos omitiremos. 

Em segundo lugar, e ainda mais grave, abre-se precedente para que manobras regimentais semelhantes sejam utilizadas em casos de outros políticos ou agentes públicos que estão sendo investigados, em operações como a Lava Jato, por exemplo, e que serão julgados pelo Congresso ou STF. 

Não podemos deixar que o impeachment, que deveria dar passo à frente no processo de passar o Brasil a limpo, seja insumo para abastecer estratégias de defesa e livrar quem prejudica o País”, diz, em nota, o presidente da AMB, Florentino Cardoso.

A entidade sustenta que a decisão do Senado traz riscos aos ambientes político, jurídico e constitucional. 

A decisão de acionar o STF está sendo divulgada pela AMB e merece o nosso apoio.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Dilma, a incorrigível.

A presidente afastada Dilma Rousseff, comparece ao Senado Federal para exercer seu direito de defesa. Nos momentos que antecedem seu julgamento, poderia aproveitar a oportunidade para pedir desculpas ao cidadão, ao povo, pelo descalabro administrativo que foi a sua gestão. No entanto, a poucas horas do julgamento de impeachment, Dilma insiste em mentiras. Diz pérolas tipo: "isso é uma mentira sem base na realidade"... Ninguém sabe o que a presidente quer dizer com isso, será que existe mentira com base na realidade? Desconheço.

Quem tá penando é a tradutora de libras do Senado.

É fato lamentável, a presidente mente. 

Mente sobre o passado, mente sobre o presente e mente sobre o futuro. Chega ao absurdo de dizer que o novo governo regulamentará o trabalho escravo... Imagine isso? Já pensou algum político de sã consciência cair numa esparrela dessas?  Falou que a política de valorização do salário mínimo começou no governo Lula... Que mentira descarada. Nos oito anos do governo FHC, a valorização real do salário mínimo beirou os 80%, e olhe se não foi mais. Falou também que o novo governo iria privatizar o pré-sal... Não existe projeto de privatização do pré-sal.  São mentiras absolutamente descaradas. Ela mente... Uma senhora, presidente da república, mentindo a toda nação.
Ela diz: Eu não cometeu crime de responsabilidade... Mentira. Cometeu sim, infringiu o inciso 6 do artigo 86 da CF 88, além da Lei de Responsabilidade Fiscal, quando abriu crédito sem autorização do Legislativo em desacordo com artigo 36 da LRF. E por aí vai...

A presidente desdenha de todos nós. Demonstra total desrespeito para com o povo brasileiro. Não responde a nenhuma das perguntas dos senadores, não responde a nenhum dos questionamentos que lhes são postos, se detém em falar de golpe, golpe, golpe. Acho mais correto afirmar que existe é o golpe do golpe.

O que nos parece é que a senhora presidente não se deu conta do momento traumático que a nação está passando.

Uma senhora totalmente despreparada para tão nobre função. Uma senhora que não diz coisa por coisa. Diz que enfrentou um câncer... Graças a Deus que ficou boa, mas o que isso tem a ver com estouro nas contas públicas?

Afirma que é democrata desde a infância, foi torturada blá, blá, blá... Dilma pertencia a um grupo terrorista chamado "COLINA" - Comando Libertação Nacional, que se juntou com mais outros dois grupos (VPR e VAPALMARES) com a mesma ideologia e juntos mataram 16 pessoas inocentes, dentre comerciantes, cidadãos comuns, civis, que não tinham nada com nada. Isso ninguém fala. Aí vem falar de democracia? Ah, mas ela não pegou em armas, era quem tomava conta do dinheiro... e daí? Fazia parte do mesmo jeito.

Acabar com esse discurso enfadonho de gente besta que não enxerga um palmo na frente do nariz e por modismo ou por burrice mesmo, fica fazendo proselitismo idiosociocomunista.

Dona Dilma serviu apenas como instrumento nas mão de um partido com projeto de poder com única finalidade, apoderar-se do Estado e locupletarem-se. Uma verdadeira horda atuando às custas da boa fé do mais incautos e bandidos.

Dilma já vai tarde, levaremos muitos anos para arrumar a bagunça que deixaram. Herança maldita, isso sim.  Economia em frangalhos, 12 milhões de desempregados, empresas públicas falidas, saúde, educação e segurança em colapso... Triste Brasil, perdemos todos esses anos de PT.

Felizmente acabou.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Para que serve a honestidade de Dilma e Lula?

Por Josias de Souza

Zanone Fraissat/FolhaOtávio Azevedo, o delator
Munidos de autocritérios, Dilma e Lula se consideram as pessoas mais probas que já conheceram. Em maio, Dilma discursou: “Falam que eu sou uma pessoa dura. Eu não sou uma pessoa dura não. Eu sou honesta, é diferente!'' Em janeiro, Lula já havia se jactado: “Se tem uma coisa de que me orgulho é que não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu.” O depoimento de Otávio Marques de Azevedo, mandachuva da Andrade Gutierrez, ao juiz Sérgio Moro suscitou uma indagação singela: para que serve a honestidade de Dilma e Lula?
Qualquer pessoa é capaz de testemunhar o conceito extraordinário que faz de si mesma. Nada mais humano. No entanto, com todo o respeito ao direito de Dilma e Lula de se autoelogiar, o que sobra no final é um conjunto de fatos. E os fatos transformam a honestidade presumida da dupla numa ficção que ajuda a explicar a realidade brasileira —uma realidade marcada por governos corruptos presididos por pessoas presunçosas.

Ricardo Berzoini, o desbravador
Otávio Azevedo repetiu para Moro o que dissera em delação para a força-tarefa da Lava Jato: em 2008, o grão-petista Ricardo Berzoini, então presidente do PT, pediu propina de 1% sobre todas as obras federais tocadas pela Andrade Gutierrez nos govenro petistas —obras do passado, do presente e do futuro. Participaram da conversa Paulo Ferreira, então tesoureiro do PT, e João Vaccari Neto, que assumiria depois a gestão das arcas petistas. Embora considerasse as propinas como mero “custo comercial”, incluído no preço final dos empreendimentos, o executivo da construtora espantou-se.

A propina requisitada por Berzoini deveria incidir sobre “todos os projetos federais que a Andrade estaria executando e que já tinha executado de 2003 [quando Lula assumiu seu primeiro mandato] para a frente”, contou Otávio Azevedo ao juiz da Lava Jato. “Ou seja, projetos inclusive já terminados. E também dos projetos futuros. Eu realmente estranhei demais a colocação. […] Fiquei bastante constrangido pelo pedido de 1% de contribuição. Essa reunião foi […] extremamente desagradável. Foi uma reunião dura.”

Depois de um debate interno, a empreiteira cedeu ao assédio do PT. Excluiu do acerto apenas as obras pretéritas. Manteve os canteiros já abertos e os empreendimentos futuros. O acerto vigorou de 2008 até 2014. Nesse período, a Andrade Gutierrez borrifou na caixa registradora do PT algo como R$ 40 milhões em dinheiro surrupiado do Tesouro Nacional por meio da elevação dos preços das obras. Os pagamentos foram feitos em anos eleitorais e também nos anos em que não houve eleições. Segundo o delator, 99% da grana foi entregue ao partido, não aos comitês de campanha.

Afora a propina, a Andrade Gutierrez ainda repassava ao PT as doações convencionais de campanha. Somando-se a “verba vinculada'' às obras e os donativos eleitorais, o PT mordeu a empreiteira em R$ 90 milhões durante seis anos. Otávio Azevedo relatou a Sérgio Moro que, em 2014, o apetite dos coletores da campanha de Dilma foi voraz. Eram dois os cobradores mais incisivos: Giles Azevedo, então secretário-executivo do Gabinete Pessoal de Dilma, e Edinho Silva, tesoureiro do comitê de campanha do PT. 

Edinho Silva, o tesoureiro
“Eles [Giles e Edinho] começaram a pressionar demais para as doações da campanha da presidente Dilma”, relatou o mandachuva da Andrade a Sérgio Moro. Noves fora as propinas que vinham sendo pagas ao PT, o comitê de Dilma pedia a bagatela de R$ 100 milhões. “Era muito dinheiro. O meu papel era preserver esse dinheiro e tentar apoiar especialmente quem está ganhando. Apoiar quem vai perder não era o meu objetivo”. Em dado momento da campanha, os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) revelaram-se opções atraentes para a Andrade.

O delator prosseguiu: nas pesquisas, “subia o Eduardo Campos, subia o Aécio, a Dilma começava a ter uma queda. Eu, então, segurei as doações eleitorais, tanto do Aécio quanto da Dilma. Aí eles ligaram.” De acordo com o depoimento, Giles Azevedo, na época um dos assessores mais próximos de Dilma, tocou o telefone para um executivo da construtora chamado Flávio Machado.

“O Flávio me ligou preocupado… O Giles tinha ligado para ele dizendo que eu não estava tomando a decisão de apoiar, que isso ia pegar muito mal para a Andrade, que a Andrade não pode fazer isso com a Dilma, que a Dilma era muito amiga nossa.” 

Segundo disse ao juiz, Otávio Azevedo telefonou para Edinho Silva, o tesoureiro da campanha petista. Marcou uma reunião. Além de Edinho, participou João Vaccari, que já havia assumido a tesouraria do PT.

“Qual foi o motivo de eu pedir para o João Vaccari ir? Foi justamente para mostrar para o Edinho que nós tínhamos feito [naquele ano] R$ 15 milhões de doações para o PT.” Otávio Azevedo deixou claro nesse encontro que, não fosse o desembolso das propinas exigidas por Berzoini e recolhidas por Vaccari, a Andrade Gutierrez poderia ser mais generosa com as arcas da campanha de Dilma.

Sérgio Moro quis saber do depoente se ele deixou realmente claro na conversa que vinha realizando as tais “doações vinculadas”, eufemismo para propinas. “Não só nessa, como numa outra reunião”, respondeu o executivo. “Se não houvesse doação vinculada, eu poderia ter doado direto para a campanha da Dilma. Eu quis também jogar com ele [Edinho], no sentido de ele entender que eu estava ali cumprindo obrigações deles próprios, orientações deles próprios desde 2008.”

A pressão de Edinho deu resultado. A Andrade Gutierrez doou R$ 10 milhões à campanha de Dilma. No mesmo dia, a empresa efetivou uma doação também para a campanha tucana de Aécio Neves, contou Otávio Azevedo. Edinho Silva não se deu por achado. Em telefonema para o executivo da empreiteira disse que os milhões doados “não eram nada, era um troco.” Queria R$ 100 milhões. O interlocutor lhe disse que o limite da construtora para as doações de campanha era de R$ 104 milhões.

Giles Azevedo, o homem de confiança
O delator reproduziu para Moro o que dissera para o tesoureiro de Dilma: “Nós vamos também apoiar outros partidos. E tem governadores, senadores, deputados. Ele, muito insatisfeito, voltou a ligar para cobrar.” Espremido, Otávio Azevedo pediu para se encontrar com Giles Azevedo, o assessor de confiança de Dilma. Edinho também estava presente.
“Fui lá para explicar para eles. Falei exatamente a mesma coisa. Falei das doações vinculadas que a gente estava fazendo [para o PT], falei de Belo Monte, me lembro perfeitamente que foi a obra que eu falei com ele com clareza. E os outros projetos federais que nós temos a obrigação de conbtribuir. Cara, nós estamos fazendo demais —R$ 100 milhões?!? Vocês estão doidos.”

Nesse ponto do depoimento, Otávio Azevedo revelou que o apetite do PT era maior do que ele poderia supor: “Foi aí que eles falaram: ‘ah, nós esperamos que as grandes empresas contribuam com R$ 500 milhões, R$ 600 milhões. Um número gigantesco. Eu disse para eles que talvez pudesse fazer um esforço adicional, mas que não contassem com a Andrade Gutierrez.”

A empreiteira repassou para Edinho, antes do primeiro turno da eleição, mais R$ 5 milhões. “E eles novamente acharam horrível: ‘Pô, mas só isso?!?’ Deixamos passar a eleição. Em meados de outubro, voltei no comitê central deles. Estive de novo com os dois [Giles e Edinho]. Disse que acabou, que não ia fazer. Eles estavam pressionando muito. E nós resolvemos, ainda, fazer mais duas doações —uma de R$ 2 milhões e outra de R$ 3 milhões, na véspera da eleição, perto do Segundo turno.”

“Mas ainda não acabou”, prosseguiu Otávio Azevedo. “No dia 3 de novembro, o Edinho foi me visitar. E pediu mais dinheiro para fechar a campanha. E aí, realmente, não pagamos. E ela já eleita. E nós não contribuímos.”

Em seu depoimento, o executivo da Andrade Gutierrez esclareceu que a construtora distribuía dinheiro para ficar bem-posta no conceito do governo. Nesse ponto, Otávio Azevedo aproximou involuntariamente as administrações do PT da famigerada gestão de Fernando Collor. Naquela ocasião, como agora, alguns dos mais respeitados empresários pagaram milhões a P.C. Farias, o coletor de Collor, sabendo que estavam comprando a atenção do governo.

Eduardo Anizelli/FolhaA diferença é que, sob Collor, os empresários foram poupados. Hoje, a oligarquia empresarial frequenta a carceragem de Curitiba e torna-se colaboradora da Justiça. Delatores como Otávio Azevedo empurram para dentro dos autos da Lava Jato fatos que Dilma e Lula não teriam como desconhecer. No comando do PT, Berzoini não teria achacado a Andrade em 2008, nas pegadas do escândalo do mensalão, sem o conhecimento de Lula. Do mesmo modo, o assessor de confiança Giles e o tesoureiro Edinho não fariam com Dilma a descortesia de mantê-la desinformada sobre as mordidas que o PT dava na construtora —por cima e, sobretudo, por baixo da mesa.

Repita-se, por oportuno, a pergunta anotada no título da notícia: para que serve a honestidade de Dilma e Lula?

terça-feira, 12 de julho de 2016

LULA EM CAMPANHA: Ele não mudou! A mentira continua a ser a sua arma predileta

Em comício em Juazeiro (BA), afirmou que Temer quer privatizar porque não sabe governar

Luiz Inácio Lula da Silva está agindo do modo como agiu em toda a sua vida política: mentindo. E, se querem saber, pouco importava se estava dentro ou fora do governo. Na oposição, mentia de forma contumaz, atribuindo ao governo de turno intenções que este não tinha ou lhe atribuindo responsabilidades que não eram suas. No poder, mentiu de forma determinada, superestimando os próprios feitos e minimizando a obra alheia.

Desde que se lançou na política, está em campanha eleitoral. E não desceu do palanque nem mesmo nos oito anos em que foi governo. É, por exemplo, o autor da tese da suposta “herança maldita” que teria sido deixada por FHC — um crime que ele cometeu contra os fatos e contra o futuro. Porque foi no combate à tal herança que decidiu criar o próprio modelo de desenvolvimento, que resultou nisto que vemos aí: a maior crise econômica da nossa história. Com sorte, o país voltará a exibir só em 2019 os índices de 2014.

Lula está em turnê pelo Nordeste. Nesta segunda, em Juazeiro, no norte da Bahia, afirmou sobre o governo Temer:
 “Eles estão tentando criar condições para Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica serem vendidos. Eles não sabem governar e precisam vender o patrimônio público. Mas eles podem saber o seguinte: eu sei [governar]”.

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Ora, claro que sabe! O seu partido levou a Petrobras à bancarrota. O seu partido levou a Petrobras a ser a empresa mais endividada do mundo; o seu partido levou a Petrobras a ser o centro de operação de uma quadrilha. Essa é a especialidade de Lula.

Foi rejeitando o capital privado — ao menos aquele que não paga propina para vagabundos — que o petismo levou a infraestrutura brasileira ao colapso
Com a ligeireza habitual, própria de quem já está em campanha eleitoral, referiu-se ao impeachment de Dilma:
“Temer é estudado, é letrado, é advogado. Ele sabe que o impeachment não é uma coisa correta da forma como está acontecendo. (…) Só o povo pode tirar Dilma”.

Não! É mentira! O povo pode tirar diretamente um governante elegendo um outro quando chega a hora do pleito. E pode fazê-lo por meio das instituições e dos dois outros Poderes da República: o Legislativo — no caso de crime de responsabilidade (cometido pela presidente) — e o Judiciário, no caso de crime comum.

“Ah, Reinaldo, Lula é tão burro que nem deve conhecer a Constituição!” Errado! Ele é inculto, mas é dos políticos mais inteligentes do Brasil, ainda que seja uma inteligência talhada pelo mal. E não é ignorante a ponto de não saber o que diz a Constituição.

No palanque, falando para cerca de duas mil pessoas, trabalhadores rurais reunidos por movimentos de esquerda, inventou outra tese originalíssima:
“A coisa desandou de 2015 para cá, sobretudo porque elegeram um cidadão como presidente da Câmara que se utilizou do cargo para atrapalhar a Dilma a governar este país. Me parece que agora ele está para ser cassado”.

Pois é… Digam-me uma só medida de Cunha que tenha servido para desestabilizar a economia, para fazer disparar a inflação, para aumentar o déficit, para afundar o país na recessão e no desemprego.
Abusando da tática de sempre, resolveu tentar jogar o Nordeste contra o resto do país:
“A coisa mais importante que fiz no governo foi lembrar a este país que o Nordeste faz parte do Brasil. E lembrar às autoridades que para resolver problema do Nordeste, é preciso incluir a região no Orçamento”.

É mesmo? A região, por acaso, está fora do Orçamento hoje em dia?
Lula aproveitou para ainda fazer troça da Lava Jato ao receber o título de cidadão juazeirense:
“Vou levar lá para São Bernardo do Campo. Não sei se Polícia Federal vai fazer busca e apreensão e querer levar como prova. Mas acho que um diploma de Juazeiro vai impor respeito lá”.

Nesta terça (12), ele segue espalhando mentiras nas cidades de Carpina e Caruaru, em Pernambuco.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Em resumo: indicado por Lula solta indicado por Lula

1) Independentemente da argumentação sobre o suposto “constrangimento ilegal”, a concessão de habeas corpus ao ex-ministro dos governos do PT Paulo Bernardo pelo advogado de carreira no PT Dias Toffoli em canetada que suprimiu duas instâncias do Poder Judiciário (TRF de SP e STJ) é mais uma amostra da situação que este blog resume assim:

Brasil vive o duelo entre juízes concursados que mandam prender políticos e ministros indicados por políticos ao STF que mandam soltá-los.

Se o político é preso por corrupção em órgão público para o qual foi nomeado pelo presidente eleito por seu partido, constrange a população que seja solto por um ministro nomeado pelo mesmo presidente.

2) A propósito:
Supremo demora 617 dias para receber uma denúncia contra político.
“É um escândalo”, disse o ministro Luís Roberto “Minha Posição” Barroso em seminário na PGR, como se ele não fosse um membro da Corte.
Como eu havia comentado dias atrás:
tuite pb

Só falta “PB” conseguir essa moleza também.

Do Blog do Felipe Moura Brasil

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Lula acabou de descobrir que é muito mais seguro ser perseguido pela Lava Jato do que socorrido por Ciro Gomes

Sempre que Ciro Gomes diz que teve uma ideia, alguém precisa trancá-lo imediatamente num banheiro e esperar que o surto passe. Como até agora nem mesmo algum parente ou amigo pôs em prática essa medida preventiva, que desde o século passado recomendo, pelo menos três vezes por ano a usina de propostas irretocavelmente imbecis só para de funcionar quando Ciro está dormindo. O problema é que dorme pouco.

Nesta terça-feira, depois de atravessar a noite à caça de ideias que livrassem Lula das investigações da Lava Jato e de uma temporada na cadeia, o ex-governador do Ceará ergueu-se da cama excitado com o que lhe pareceu um plano perfeito: “Pensei: se a gente formar um grupo de juristas, a gente pode pegar o Lula e entregar numa embaixada”, explicou o candidato a sequestrador. “À luz de uma prisão arbitrária, um ato de solidariedade particular pode ir até esse limite”.

Segundo Ciro, “proteger uma pessoa de uma ilegalidade é um direito”. Para garantir ao prisioneiro libertado “uma defesa plena e isenta”, Lula já chegaria sobraçando um pedido de asilo à embaixada de um país governado por gente confiável. A Venezuela, por exemplo. Além do ambiente acolhedor, a sede da representação venezuelana tem espaço de sobra para abrigar o velho cúmplice de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Para abrandar a solidão do ex-presidente que sofrerá o desterro sem deixar o país, o idealizador do sequestro poderia também instalar-se na Pensão do Lula ─ para sempre, de preferência. Mas é improvável que o chefão embarque no que é, mais que uma formidável ideia de jerico, uma operação criminosa que acabará em cadeia. Se lhe resta algum juízo, Lula sabe que é muito mais seguro ser perseguido pela Lava Jato do que socorrido por Ciro Gomes.

 Por Augusto Nunes

terça-feira, 7 de junho de 2016

Existe chance de o Brasil vir a civilizar-se?

Por Mario Sabino
Será que o Brasil tem jeito? A pergunta traduz uma angústia circunstancial -- ligada à crise política e econômica dos dias que correm-- e outra de fundo: existe chance de o país vir a civilizar-se? Em relação à circunstância, acho que o Brasil sairá da crise política, caso finalmente releguemos Dilma Rousseff ao passado. Uma vez que ela seja cancelada do nosso cotidiano, a economia exibirá uma melhora inercial que poderá ganhar velocidade se Michel Temer cumprir pelo menos metade do que se propôs.
O meu otimismo não vai além das obviedades que escrevi acima. Na minha opinião, estamos condenados a ser um país de segunda categoria, com altos pouco altos e baixos muito baixos.
Baseio-me na geografia e história do Brasil. Estamos longe das nações que poderiam nos proporcionar alianças ou integrações decisivas para o nosso progresso material e espiritual. Não nascemos do idealismo que criou os Estados Unidos, mas da cobiça, luxúria e tristeza de que falava Paulo Prado, em "Retrato do Brasil".
Os modernistas tentaram transformar esses nossos defeitos em qualidades capazes de erguer um novo tipo de civilização, mas nem a sua arte tinha qualidade, nem os seus propósitos, realidade.
Quando se observa o universo partidário, a fatalidade fica mais clara. PMDB, PT, PSDB, PP, PTB e que o mais for não são apenas siglas, e sim o sequenciamento de uma genética histórica infeliz. Os políticos brasileiros não estão divorciados da maioria dos eleitores, sejam eles pobres, remediados ou ricos. São a expressão máxima das suas ambições e dos seus apetites. Estamos condenados a ser ávidos, libertinos, melancólicos.
 

Exclusivo: Dilma repassou R$ 11 milhões a blogueiros em 2016

O Antagonista teve acesso exclusivo à planilha com repasses do governo federal aos blogs petistas em 2016.
Os números incluem a verba publicitária da Secretaria de Comunicação, dada por meio de campanhas de programas oficiais, e o patrocínio de bancos públicos e estatais, como a Petrobras.
Os contratos firmados às vésperas do impeachment somam R$ 11,2 milhões - de um total de R$ 94,7 milhões gastos com publicidade na internet. Ao assumir o governo, Michel Temer determinou a suspensão dos pagamentos aos blogs e sites petistas e o cancelamento dos contratos.
- Brasil 247: 2,1 milhões
- DCM: 1,11 milhão
- Carta Maior (site): R$ 921 mil
- Forum: R$ 921 mil
- Paulo Henrique Amorim: R$ 865 mil
- Opera Mundi (Breno Altman): R$ 83 mil
- Luís Nassif: R$ 814 mil (além do contrato com a EBC)
- Carta Capital (site): R$ 664 mil
- Sidney Rezende: 409,5 mil
- CGM: R$ 359 mil
- Pragmatismo Político: 219 mil
- Blog do Esmael: 169 mil
- Viomundo (LC Azenha): R$ 166 mil
- O Cafezinho: R$ 124 mil

Do Antagonista.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

É preciso devolver à família a alma penada que transformou a residência presidencial em casa assombrada

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/files/2016/05/dilma-2.jpg
A presidente Dilma Rousseff foi despejada do Palácio do Planalto por exigência da ampla maioria dos brasileiros, cuja voz — encorpada pelas redes sociais — enfim se fez ouvir nas ruas de centenas de cidades engajadas na maior mobilização política registrada desde o Descobrimento. Os indignados, os descontentes e os arrependidos decidiram juntos, em 13 de março de 2016, que chegara a hora de afastar Dilma Rousseff do cargo que desonrou. O fim desse capítulo infeliz da nossa história foi decretado por esses milhões de brasileiros que vocalizaram ao ar livre a vontade da nação.

O processo de impeachment só foi aceito por Eduardo Cunha, endossado pela Câmara e está em julgamento no Senado porque o Congresso, como disse o deputado Ibsen Pinheiro em 1992, “sempre acaba querendo o que o povo quer”. Cumpre aos responsáveis pelo despejo da inquilina do Planalto concluir o serviço que começaram. É hora de manter o Senado sob estreita vigilância até que seja devolvida à família a alma penada que assombra o Palácio da Alvorada com uivos, lamentos, gemidos e, sempre que aparece alguma jornalista de confiança, palavrórios enunciados numa linguagem muito estranha e igualmente assustadora.

O minueto ensaiado pelos senadores arranchados no muro é apenas uma vigarice grisalha: o que os hesitantes de araque pretendem é aumentar o valor do voto. Logo estarão de volta à terra firme, dançando conforme a música tocada pela resistência democrática, entoando as palavras de ordem que identificam os alvos prioritários (“Fora Dilma!”, “Fora Lula!”, “Fora PT!”) e sussurrando o grito de guerra que passa ao largo de partidos ou líderes políticos para celebrar o juiz que simboliza a Lava Jato: “Viva Sérgio Moro!” Os gigolôs da indecisão sabem que vem aí outra eleição. E sabem também que o voto pune.

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Compreensivelmente, ninguém deu vivas a Michel Temer. A vitoriosa oposição real ─ hoje hegemônica nas redes sociais, nas praças, nas avenidas, até no Datafolha ─ não votou no candidato a vice de Dilma Rousseff na chapa que revalidou o casamento do PT com o PMDB. Endossou a ascensão do presidente interino por respeitar a Constituição que os adoradores de Lula (e eleitores de Temer) sempre trataram a socos e pontapés. E torce sinceramente para que o novo governo tenha sucesso na missão de reconstruir o país arrasado pela era da canalhice. Quanto pior, melhor? Quem responde afirmativamente a tamanha maluquice tem tudo para virar sacristão de missa negra.

O balanço dos primeiros dias vai além das conversas gravadas por Sérgio Machado e do afastamento de dois ministros alistado na tropa que luta inutilmente para abortar a Lava Jato. O Brasil foi dispensado de envergonhar-se com a política externa da cafajestagem. Vai tomando forma o plano concebido para enfrentar a crise econômica — e qualquer plano é melhor que nenhum. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem demonstrado que é o homem certo no lugar certo. Começou a dedetização dos porões da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), infestados de blogueiros sabujos, múmias subalternas, jovens crápulas e velhotes velhacos que vendem letras por quilo batucando em jurássicas máquinas de escrever.

Não é muito. Mas não é pouca coisa, atestam os aplausos que recepcionaram o pequeno lote de mudanças. Também por isso, repete-se com crescente insistência a pergunta sem resposta: o que espera Michel Temer para escancarar a colossal caixa preta que guarda a verdadeira herança maldita? O rombo de 175.5 bilhões nas contas de Dilma pareceu espantoso até a quem achava que não se espantaria com mais nada. É preciso expor urgentemente o acervo acumulado em 13 sórdidos anos. Os brasileiros têm de contemplar o quanto antes a terra devastada pela passagem das incontáveis cavalgaduras do apocalipse.

O falatório gravado por Sérgio Machado reafirma que meliantes do PMDB e do PP agiram em parceria com larápios do PT no assalto aos cofres da Petrobras. E avisa que só cretinos fundamentais conseguem enxergar um país em que se confrontam esquerdistas generosos e direitistas brutais. O Brasil redesenhado pela Lava Jato está dividido em duas partes assimétricas e antagônicas. Uma é habitada por gente que apoia sem ressalvas o prosseguimento da operação que desmantelou o maior esquema corrupto surgido desde a chegada das caravelas. A outra é reservada aos quem sonham com a transformação da República de Curitiba numa versão brasileira de Hiroshima. É nesse lado escuro que se amontoam dirceus e jucás, dilmas e renans, mercadantes e machados.

A montanha de provas contundentes berra que o Petrolão é o filho mais abjeto de Lula. O ex-deputado Pedro Corrêa, no depoimento à Justiça divulgado na mais recente edição de VEJA, revelou que o então presidente comandou pessoalmente, em 2004, os trabalhos de parto da quadrilha que saqueou a Petrobras. Até 2010 ─ apoiado pela companheirada do PT, pela banda podre dos partidos da base alugada, por empreiteiros de estimação e por diretores da Petrobras que ele próprio escolheu ─, o Pai dos Pobres acompanhou com cuidados de Mãe dos Ricos a evolução da criatura que Dilma acolheu com afagos de avó extremosa. O resto é o resto.

Tudo somado, os pais da pátria terão de escolher entre dois caminhos. Michel Temer decidiu percorrer a trilha à beira do penhasco. É perigosa, mas costuma levar a portos seguros. Dilma Rousseff optou desde sempre por descer a ladeira que desemboca no abismo. Milhões de brasileiros fartos de tapeação mantêm sob estreita vigilância todos os senadores, sobretudo os fantasiados de indecisos. A oposição real deve voltar às ruas para recomendar-lhes que tenham juízo na hora de votar.

Da coluna do Augusto Nunes.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O lado virtuoso da crise: a esquerda vira reduto de incompetentes, aproveitadores e vagabundos

A própria imprensa acabou dando pouco destaque ao acontecido porque, infelizmente, parte considerável do jornalismo é vitima de uma espécie de síndrome de Estocolmo quando o assunto é o PT: sente atração pelo seu sequestrador. Mas, aqui, a questão terá a devida visibilidade.

Nesta quinta, na patuscada armada por Dilma Rousseff para deixar o Palácio do Planalto, uma equipe da TV Globo, composta por cinco pessoas, foi atacada por fascistoides vermelhos. Entre os agredidos, estava a repórter Zileide Silva. Uma produtora chegou a levar um chute nas costas. Nada menos.

Pouco antes, os brucutus haviam cercado uma estrutura armada para o trabalho de jornalistas e fotógrafos, ameaçando derrubá-la, aos gritos de “mídia golpista”. Entrei no site da Fenaj — Federação Nacional dos Jornalistas — em busca de  um nota de repúdio. Nada! Afinal, eram petistas e esquerdistas tentando espancar repórteres. A Fenaj, um asqueroso aparelho petista, não tem nada a dizer a respeito.

Não é preciso apelar à imaginação para chegar aos responsáveis por essas barbaridades. Quem inspira essas ações truculentas é a senhora presidente afastada da República, Dilma Rousseff, que insiste em impor a sua presença ao país, embora a esmagadora maioria dos brasileiros repudie a sua atuação.

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Por que isso acontece? Porque os agressores seguem o exemplo de seus líderes e não reconhecem os valores da democracia. Ora, se uma presidente afastada, seu partido e as principais lideranças dessa agremiação chamam de golpe o triunfo da Constituição e do estado de direito, por que os vagabundos que vivem pendurados no estado e em entidades de classe, que transformam a militância política em mero meio de vida, não haveriam de fazê-lo?

Eis aí: é precisamente disso que o pais está cansado. O Brasil que trabalha, que se esforça, que luta para ganhar a vida honestamente, não aceita mais ser refém dessa pilantragem.

Se a canalha me indigna por seus métodos, pelo mal que causa a muita gente, pelo que significa de atraso para o país, confesso que experimento certo conforto entre intelectual e moral ao ver essa gente a cometer tantos erros.

Felizmente, o PT diz cada vez menos a um número cada vez maior de pessoas. Suas utopias coletivistas já não mobilizam os indivíduos de boa-fé. A exemplo do que acontece em todo o mundo civilizado, a militância de esquerda vai se tornando um reduto de incompetentes, de aproveitadores e de vagabundos.

É o lado virtuoso da crise.

por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Senador Magno Malta - " O pior da mentira é a hora da verdade..."

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Dilma deixa o governo sem ter entendido o que são as instituições brasileiras

Dilma Rousseff faz pronunciamento após decisão do Senado pelo seu afastamentoOficialmente afastada nesta quinta-feira do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff insistiu em seu derradeiro discurso na ideia petista de que a democracia é simbolizada apenas pelo voto popular. 

Ao tachar novamente o processo de impeachment de golpe e questionar sua validade, ela mais uma vez ignorou as instituições que fazem do Brasil um Estado democrático de direito - e que chancelaram o processo que culminou no seu afastamento. "É na condição de presidente eleita com 54 milhões de votos que eu me dirijo a vocês neste momento. O que está em jogo não é apenas o meu mandato. É o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição." Dilma deixou o Planalto na sequência do discurso pela porta da frente e foi cumprimentar os militantes que a esperavam. Lá, foi recebida pelo padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva.

Seguindo a tática que a levou ao segundo mandato, Dilma insistiu no discurso do medo. "O que está em jogo são as conquistas dos últimos treze anos, os ganhos das pessoas mais pobres e da classe média, a proteção às crianças, aos jovens chegando nas universidades, à valorização do salário mínimo", afirmou. "O que está em jogo é o futuro do país e a esperança de avançar sempre."

A agora presidente afastada culpou ainda a oposição pelo caos político e econômico em que sua própria incompetência mergulhou o Brasil. "Meu governo tem sido alvo de incessante sabotagem. Ao me impedirem de governar, criaram um ambiente propício ao golpe." Ela acusou os oposicionistas de "mergulhar o país na instabilidade para tomar à força o que não conquistaram nas urnas". Como de praxe, ignorou que seu vice Michel Temer, que assume nesta quinta-feira o Palácio do Planalto, foi eleito em sua chapa, com os mesmos 54 milhões de votos que ela recebeu.

Dilma deixou claro ao longo de todo o discurso que não reconhece a letra da Constituição que estabelece o impeachment - e as instituições que a fizeram ser cumprida. Embora o rito do impedimento tenha sido estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal e o processo conduzido pela Câmara e pelo Senado - cujos integrantes também são eleitos pelo voto popular -, Dilma negou sua validade. "Não cometi crime de responsabilidade. Não há razão para o impeachment. Não tenho contas no exterior, não compactuei com a corrupção. Esse é um processo frágil e injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente." Ela classificou as ações que ensejaram a acusação de crime de responsabilidade contra si de "legais, corretas, necessárias e corriqueiras".

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"O maior risco para o país nesse momento é ser dirigido pelo governo dos sem voto, que não foi eleito e não terá legitimidade para propor soluções", afirmou Dilma, que adotou na sequência uma retórica que beira o irresponsável: "Um governo que pode ser tentado a reprimir os que protestam contra ele, que nasce de um golpe". A petista ainda chamou os brasileiros à luta. "A luta pela democracia não tem data para terminar. É luta permanente e exige de nós mobilização constante. A luta contra o golpe é longa. Essa vitória depende de todos nós".

A petista discursou em ambiente claramente planejado para disfarçar seu isolamento: cercada de seus agora ex-ministros e por parlamentares do que restava de sua base. Dilma foi ladeada pelo fiel escudeiro Giles Azevedo e pela ministra Eleonora Menicucci. Embora tenha falado em resistir, ao longo de todo discurso a presidente deu mostras de que nem ela própria crê no seu retorno ao prédio que acaba de deixar: embora, a rigor, só comece agora o julgamento do mérito do impeachment, todos os verbos de seu discurso falavam de um governo que já acabou. 

Ao sair do Planalto, Dilma foi recebida por uma militância que mal encheu o gramado. E também por aquele responsável por colocá-la no posto. Lula não falou, mas seu semblante abatido e choroso deixou evidente: o PT não acredita que voltará ao poder ao fim deste processo.

Por: Felipe Frazão, João Pedroso de Campos e Marcela Mattos

Tchau querida!!


Tchau querida! - do Blog do Moura Brasil

Este blog publica com exclusividade a nota oficial de alívio da senhora Língua portuguesa:
“Prezado colunista de VEJA Felipe Moura Brasil,
Escrevo-lhe ainda tomada de euforia com a decisão do Senado Federal de afastar Dilma Rousseff da Presidência da República.
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Meu profundo repúdio à ideologia do vitimismo disseminada pelo Partido dos Trabalhadores no Brasil não me impede, neste momento, de reconhecer os fatos como eles são, por mais vitimista que esta nota possa soar a quem não os conhece.

Ninguém neste país sofreu mais do que eu com Dilma. Ninguém.

Durante os quase cinco anos e meio em que comandou o DOI-CODI verbal do Poder Executivo, esta primeira e única ‘mulher sapiens’ me torturou ‘diuturna e noturnamente’, cruel e pessoalmente, em longas sessões públicas, utilizando-se dos mais variados instrumentos de corte gramatical e perfuração sintática.

A imunidade que desenvolvi durante os oito anos de governo do carrasco anterior, Luiz Inácio Lula da Silva, não foi suficiente para evitar as feridas, fraturas e enfermidades que sua criatura me impingiu e das quais finalmente terei agora a oportunidade de convalescer na gestão mais eloquente de Michel Temer.

Desde que Dilma, ao responder em 2009 se já se considerava pré-candidata à Presidência, elencou as condições para tanto usando a introdução ‘Pra mim sê pré (…)’, não tive um só dia de sossego para recompor senão minha saúde, ao menos minha fisionomia.

Compreendo a indignação do povo brasileiro com o assalto às estatais e aos fundos de pensão, além das fraudes das contas públicas que arrimaram o pedido de impeachment, mas deixo novamente de lado o temor de assemelhar-me a quem se jacta do próprio sofrimento para deixar registrado à posteridade:
Ninguém neste país foi mais roubada do que eu com Dilma. Ninguém.
A ‘presidenta’ me roubou os plurais, as concordâncias, as conjugações, as ordens, os sentidos, os infinitivos, a norma culta e até a capacidade de expressar, mesmo com um coloquialismo eivado de erros, a realidade nacional de modo compreensível, ainda que não fidedigno.

Se, para ela, ‘o meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável’, para mim o ambiente político-cultural brasileiro fica bem menos ameaçado e ameaçador com o seu afastamento.

Se, para ela, ‘todo mundo pode cometer corrupção’ e ‘a inflação foi uma conquista’ do governo do PT, para mim todo mundo pode celebrar a sua queda como uma conquista da pátria.

Com a experiência de quem foi torturada até no Dia das Crianças com ‘a figura oculta que é um cachorro atrás’, venho agradecer não apenas ao colunista por todas as vezes que denunciou as agressões de que fui vítima, mas também ao povo do Brasil que, apesar do desatino de ter eleito e reeleito Dilma, reagiu a tempo de me salvar com vida.

Peço apenas, por favor, que orem e zelem por mim; e que, ao contrário dela, aprendam com seus próprios erros.

Ainda temos, todos nós, muitas dificuldades pela frente no processo de ‘despetização’ do país, mas não posso me furtar de comemorar esta primeira libertação.

Ninguém está mais feliz do que eu. Ninguém.

Saudações da flor do Lácio,
Língua portuguesa”.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Pra entender o crime praticado por Dilma.

Júlio Marcelo de Oliveira foi o convidado do programa Roda Viva de segunda-feira (10).

Uma semana depois de humilhar a Bancada da Chupeta na comissão especial do impeachment no Senado, o procurador responsável por destrinchar as fraudes fiscais bilionárias que devem levar ao impeachment de Dilma Rousseff voltou a explicá-las serena e didaticamente.

Para quem perdeu o programa e/ou ainda não entendeu os crimes da petista, reproduzo a íntegra:


quarta-feira, 4 de maio de 2016

O velório de Lula, Dilma e PT já virou enterro

Se havia alguma chance de reverter durante os 180 dias de julgamento no Senado Federal a decisão (considerada inevitável até pelo governo) da comissão do impeachment e do plenário pelo afastamento de Dilma Rousseff, o pedido de inquérito contra a petista por obstrução da Lava Jato feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal e a denúncia contra Lula no inquérito sobre a compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a enterraram de vez.

Foi o que admitiu nos bastidores um auxiliar da própria Dilma à Globonews.
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“Não só Dilma será afastada do poder como não terá chance de voltar”, disse ele à repórter Andréia Sadi.

Para além do desgaste político da petista com a investigação que tende a ser aprovada pelo ministro Teori Zavascki caso ele mantenha o padrão adotado para os demais pedidos de Janot, o chamado “QG da resistência” do Palácio do Planalto ainda sofrerá um baque fatal com a abertura do inquérito.

Isto porque os responsáveis diretos e indiretos pela defesa de Dilma contra o impeachment estarão de quarentena, recebendo salário pago pelo povo, mas terão de bancar advogados – sem contar com dinheiro do PT – e cuidar da sua própria situação, uma vez que também foram alvos do PGR.

O inquérito contra Dilma busca investigar a nomeação de Lula para a Casa Civil – feita para livrá-lo da alçada do juiz Sérgio Moro conferindo-lhe foro privilegiado no STF – e de Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça – feita para soltar presos da Lava Jato -, sendo que, segundo o ainda senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), o suposto advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, também fez movimentações para tentar soltar presos da operação.

O pedido de Janot contra Dilma, Lula e Cardozo por obstrução da Lava Jato tem como base a delação premiada de Delcídio, assim como outro pedido do PGR, que busca incluir, no inquérito sobre o esquema de corrupção da Petrobras:
– Lula;
– Jaques Wagner (atual chefe de gabinete de Dilma);
– os ministros Edinho Silva (Comunicação Social) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo);
– os ex-ministros Antônio Palocci e Erenice Guerra;
– Giles Azevedo (ex-chefe de gabinete de Dilma);
– José Carlos Bumlai (amigo de Lula preso pela Lava Jato);
– Paulo Okamotto (atual presidente do Instituto Lula);
– José Sergio Gabrielli (ex-presidente da Petrobras);
– entre outros.

Janot apontou Wagner, Edinho e Berzoini, ao lado de Delcídio, como “chefes da organização” criminosa do petrolão “no âmbito dos membros do PT” e afirmou que essa organização jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla sem que o ex-presidente Lula dela participasse.
alx_imagens-do-dia-lula-discurso-pt-20160425-006_originalEste blog afirma, por analogia, que as fraudes fiscais denunciadas no processo de impeachment jamais poderiam ter sido cometidas por tantos anos e de uma forma tão ampla nos bancos federais (atingindo quase 60 bilhões de reais em dívidas) sem que a suposta presidente Dilma delas participasse.

Neste caso, a própria Constituição impõe a sua responsabilidade no artigo 84, inciso II, repetidamente citado pelo procurador Júlio Marcelo na comissão:
“Compete privativamente ao Presidente da República: exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal”.

Como os decretos de crédito suplementar criados sem autorização do Congresso Nacional foram assinados pela própria Dilma, a tentativa de eximi-la de responsabilidade por ambos os crimes é apenas contorcionismo retórico e esperneio histérico no teatro protagonizado por Cardozo e ecoado pela Bancada da Chupeta.

O discurso do governo e do PT vem sendo demolidos pela revelação dos fatos e, assim como a tentativa de acusar um “golpe de Estado” foi desmascarada até por ministros do STF, as de partidarizar a Lava Jato e acusar Moro de justiceiro ficaram ainda mais patéticas após o fechamento do cerco contra os petistas ter partido de Janot, que foi indicado e reconduzido para o cargo pela própria Dilma – o que levou Lula a chamá-lo de “ingrato” em conversa interceptada pela PF.

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Resultado: um amigo de Lula disse à Folha que o ex-presidente está deprimido, chateado e muito preocupado; e um auxiliar de Dilma disse a Gerson Camarotti, do G1, que nomear Lula como ministro foi uma imprudência do governo, porque “isto levou a Lava Jato para dentro do Planalto”.

A maior de todas as imprudências, na verdade, foi a do eleitorado brasileiro, que permitiu que a organização criminosa chegasse ao poder, do qual Dilma, agora, recusa-se a sair sem atacar seus outrora escudeiros Janot e Delcídio e sem arrombar ainda mais os cofres públicos, em patente vingança contra o vice-presidente Michel Temer.

O “pacote de bondades” que ela distribui às vésperas do impeachment para posar de benevolente é mais uma maldade contra o Brasil que deverá deixar uma “bomba fiscal” de 10 bilhões de reais para o provável governo Temer, a quem Dilma quer impor o fardo de se desgastar com eventuais cortes.

Nunca antes na história deste país houve um fim de governo tão melancólico, mesquinho e desonrado. Embora ainda haja muita sujeira para varrer na política e na cultura brasileiras, pelo menos o velório de Lula, Dilma e PT já virou enterro.

Alguém, por favor, avise ao Lindbergh.
Lindbergh chupa

Impeachment ficou irreversível com pedido de investigação de Dilma - por Gerson Camarotti

No núcleo do Palácio do Planalto, avaliação realista é de que o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para investigar a presidente Dilma Rousseff junto ao Supremo Tribunal Federal e a denúncia apresentada contra o ex-presidente Lula sepultaram todas as chances de o governo tentar reverter o impeachment da presidente na votação final do Senado.

Para interlocutores próximos de Dilma, esse é o pior cenário num momento em que o Senado deve admitir o pedido de impedimento da presidente, porque contamina as pedaladas fiscais com as investigações da Lava Jato. Para o governo, isso terá grande impacto na opinião pública e esvazia a estratégia de restringir o debate exclusivamente à questão das pedaladas.

Com isso, o governo, que ensaiava uma ofensiva, ao criar uma narrativa de que o pedido de impeachment era uma tentativa de golpe parlamentar, volta ao estágio inicial de ter que se defender das investigações em torno do escândalo de corrupção na Petrobras.

Há quem já considere como uma imprudência a decisão de nomear o ex-presidente Lula como ministro do governo para ganhar foro especial e escapar da mira do juiz federal Sérgio Moro.

"Isso levou a Lava Jato para dentro do Planalto", lamentou um auxiliar da presidente.

Há também o reconhecimento de que o governo perde o discurso de tentar politizar a Lava Jato.

Recentemente, petistas e a própria Dilma atacavam diretamente o juiz Sérgio Moro, numa estratégia para partidarizar as investigações. Mas quando o pedido de investigação de Dilma e a denúncia contra Lula por agir para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró partem do procurador Rodrigo Janot, o discurso de partidarizar a Lava Jato perde sustentação. 

Isso porque Janot foi indicado e reconduzido para o cargo pela própria Dilma, reconhecem auxiliares da presidente.

Foto notícia

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito para investigar a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula por suspeita de obstrução da Lava Jato.

domingo, 24 de abril de 2016

Será que ele também engole?, por Mario Vitor Rodrigues

Acabei de ser ofendido num restaurante paulista. Cuspi na cara do coxinha e da mulher dele! Não reagiu. - escreveu José de Abreu em sua conta no twitter. E não ficou por aí.

O covarde perdeu a linha, deve ter cagado nas calças. Cuspi na sua cara, na cara da mulher dele e ele não reagiu. Covardes fascistas. - arrematou em seguida, demonstrando a costumeira virulência que não é de hoje o caracteriza. Teve mais.

Fujão covarde levou uma cusparada na cara e a mulher levou outra. Fascistas são tratados assim. - exclamou em tom vitorioso, finalmente encerrando uma saraivada de mensagens impossível de não provocar asco em quem possui um mínimo de caráter e equilíbrio emocional.

Pelo pobre diabo que é, já caindo aos pedaços e no entanto sujeito a arroubos típicos de um militante juvenil, José de Abreu não merece ser levado a sério. Assim como grande parte da nossa classe artística, é tão somente um idólatra de bandidos incapaz de disfarçar sua natureza autoritária.

Dito isto, não deixa de ser sintomático que uma das semanas mais importantes em nossa história termine emoldurada por dois episódios tão abjetos, as escarradas de Jean Wyllys em Jair Bolsonaro e esta de Abreu em um casal, primeiro no rosto do rapaz, depois no de sua companheira.

Ambas as situações podem render bons frutos para a sociedade - Wyllys perder seu mandato por falta de decoro, e o rompimento definitivo da auréola protetora que envolve os artistas em geral - mas já estou preocupado com a passada de pano que a mídia com toda sorte dará ao segundo episódio.

Não é de hoje que a imprensa se empenha em botar panos quentes no chamado Fla-Flu, como se paternalizar a população pudesse de alguma forma trazer benefícios ao país, ignorando que o atual momento se deve precisamente à nossa preferencia por evitar assuntos importantes devido as naturais faíscas que estes provocam.

Desta vez não será diferente. A culpa pela cusparada recairá sobre o debate, jamais será atribuída a um sujeito que, insisto, não é de hoje, sem o menor pudor utiliza de seus perfis em redes sociais para agredir de maneira insana.

Defenderão que, enfim, virtual e real são coisas distintas, que pessoas públicas sempre tiveram e continuam tendo o direito de flanar por este país como se não tivessem nada a ver com o que está acontecendo. Que podem ofender, xingar e apregoar todo tipo de baboseira, sem que por este motivo mereçam ser encaradas com menos afeto, tampouco indignação.

A mídia em geral, principalmente os programas de debate na televisão, deveriam preocupar-se, isto sim, em travar um debate menos chapa-branca e mais condizente com o nosso dia a dia, sem se preocupar em ferir suscetibilidades.

Digo, não há sentido em fazer diferente e é até irresponsável propor às pessoas uma falsa imparcialidade quando esta opção se apresenta inviável nas gôndolas dos supermercados. Sem falar na postura intransigente dos defensores do governo. Acaba gerando um desequilíbrio fatal para a discussão.

Indo direto ao ponto, o governo Dilma acabou e o pesadelo do PT apenas começou. É este o motivo de tanto belicismo por parte da esquerda, incluindo aí dirigentes e simpatizantes. Passaram décadas semeando o nós contra eles, e quando finalmente eles decidiram acordar, agora querem melar com o jogo.

De tão desesperados, não bastasse a patética tentativa da futura ex-presidente em propagar um clima de instabilidade institucional, e ameaças toscas como “vai ter luta!” e “vai ter tiro!”, só restou incendiar Roma via cusparadas.

Pois cometerá um grande erro quem apostar em um Brasil de joelhos, tremendo de medo pelo alarido de velhos coiotes aflitos com seca que se anuncia.

Você não é intocável, José de Abreu. Pode babar de raiva, é até compreensível, mas não se considere intocável, intimidador, ou pense que junto de alguns coleguinhas ainda têm o poder de propor lavagem cerebral coletiva. Este tempo já passou.

Mario Vitor Rodrigues é escritor, apaixonado por gastronomia, futebol, séries e cinema. 
Twitter do ator José de Abreu (Foto: Reprodução / Twitter)Twitter do ator José de Abreu (Foto: Reprodução / Twitter)

sábado, 23 de abril de 2016

Lula: O mito estraçalhado, por Francisco Weffort*

Luiz Inácio Lula da Silva vai chegando ao fim do caminho. Mesmo ele é capaz de perceber que está acabando o terreno à sua frente. Antes do petista, tivemos casos semelhantes desses meteoros da política que vêm não se sabe de onde, passam por grandes êxitos, alcançam rapidamente o topo e depois caem miseravelmente. Já nos esquecemos de Jânio Quadros? Lula é diferente de Jânio em um ponto: veio de mais baixo na escala social e conseguiu uma influência mais organizada e duradoura na política do país. Dilma Rousseff, embora pareça um meteoro, não é propriamente um caso político. O fato de ela ter chegado à Presidência da República foi apenas um enorme erro de Lula cometido em um dos seus acessos de personalismo. Erro, aliás, que o empurra com mais rapidez para o fim. "O cara", de que falou Barack Obama quando Lula tinha 85% de aprovação, não é mais aquele...

Há algum tempo, muitos gostavam de ver em Lula um "filho do Brasil". Era o seu primeiro mandato, quando se pensava que surgia no país uma "nova classe média". Com a crise dos dias atuais, essa "nova classe" provavelmente desapareceu. Outra das veleidades grandiosas do petista, já no fim do seu governo, foi um suposto plano para terminar com a fome no mundo. Também naqueles tempos, alguns imaginavam que o Brasil avançava para uma posição internacional de grande prestígio.
Muitos desses sonhos deram em nada, mas, para o bem e para o mal, Lula foi um filho do Brasil. Aliás, também o foram os milhares, milhões de jovens fruto do "milagre econômico" dos anos Médici, assim como, antes deles, os filhos da democracia e do crescimento dos anos JK, ou, se quiserem, algumas décadas mais atrás, da expansão aluvional das cidades que assinala o nosso desenvolvimento social desde os anos 1930. No Brasil, temos a obsessão permanente do progresso, assim como uma certa vacilação, também permanente em nosso imaginário, entre a ditadura e a democracia. Lula foi uma variante desse estilo brasileiro de vida. Queria resolver as coisas, sempre que possível, com "jeitinho", ao mesmo tempo que sonhava com as benesses do "Primeiro Mundo" e da modernidade.

Na política brasileira, porque vinha de baixo, o petista tinha traços peculiares que se revelam em sua busca de reconhecimento como indivíduo. Nesse aspecto está o seu compromisso com a democracia, aliás muito aplaudido no início de sua vida como político. O sindicato foi seu primeiro degrau e, mais adiante, uma das raízes de seus problemas. É que, a partir desse ponto, Lula passou a buscar seu lugar como cidadão numa instituição aninhada nos amplos regaços do Estado. Ele começou em uma estrutura às vezes repressiva e muitas vezes permissiva, que dependia, sobretudo, como continua dependendo, dos recursos criados pelo Estado por meio do "imposto sindical". A permissividade maior vinha do fato de que tais recursos não passavam, e ainda não passam, pelo controle dos tribunais de contas.

O maior talento pessoal de Lula foi sair do anonimato, diferenciando-se dos parceiros de sua geração. No sindicalismo, falou sempre contra o "imposto". E talvez por isso mesmo tenha logrado tanto prestígio como sindicalista combativo e independente que não precisou fazer nada de concreto a respeito. Na época das lutas pelas eleições diretas e pelo fim do autoritarismo reinante sob o Ato Institucional nº 5, dizia que "o AI-5 dos trabalhadores é a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT". Mas em seu governo não só manteve o imposto e as leis sindicais corporativistas como foi além, generalizando para a CUT e demais centrais sindicais os benefícios do imposto.
O que tem sido chamado, em certos meios, de "carisma" de Lula foi sua habilidade de sentir o seu público. Chamar essa "empatia", uma qualidade que qualquer político tem, em grau maior ou menor - e que, aliás, sempre faltou a Dilma -, de "carisma" é uma impropriedade terminológica. Em sociologia, o fenômeno do "carisma" pertence ao universo das grandes religiões, raríssimo no mundo político, e, quando ocorre, é sempre muito desastroso. Os fascistas de Mussolini diziam que "il Duce non può errare" ("o Duce não pode errar"), para exaltar uma suposta sabedoria intrínseca ao ditador. Não era muito diferente das fórmulas típicas do "culto da personalidade" de raiz stalinista. Embora tais fórmulas estejam superadas na esquerda há tempos, os mais ingênuos entre os militantes do PT ainda se deixam levar por coisas parecidas. Consta que, no mundo de desilusões e confusões do "mensalão", um intelectual petista teria dito: "Quando Lula fala, tudo se esclarece". Não ajudou muito...

Luiz Inácio Lula da Silva foi uma das expressões da complexa integração das massas populares à democracia moderna no Brasil. É da natureza da democracia moderna que incorpore, integre a classe trabalhadora. No Brasil, como em muitos países, isso sempre se fez por meio de caminhos acidentados, entre os quais o corporativismo criado em 1943, no fim da ditadura getuliana, e mantido pela democracia de 1946, como por todos os interregnos democráticos que tivemos desde então. O corporativismo se estende também às camadas empresariais, assim como a diversos órgãos de atividade administrativa do Estado brasileiro. Favoreceu a promiscuidade entre interesses privados e interesses públicos e certa medida de corrupção que, de origem muito antiga, mudou de escala nos tempos mais recentes com o crescimento industrial e a internacionalização da economia brasileira. Nessa mudança dos tempos, Lula passou de "sindicalista combativo" a lobista das grandes empreiteiras. Um fim melancólico para quem foi no passado uma esperança de grande parte do povo brasileiro.

* Professor emérito do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo e ex-ministro da Cultura (de 1995 a 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso). Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT)